sábado, 27 de agosto de 2011

O Choro no Estige


Quando sua passagem pelo Estige
Juntamente a estes cantos iniciou-se
Reúnem-se as mais belas ninfas tristes
A recordar como ele era doce

Doce e belo, mesmo em seu amargo fim
Vejo chorarem as águas por sua perda
Como eu assim chorei ao perdê-lo de mim
Lamentaram-se todas as Nereidas

Por não ter cedido a nenhum dos anseios
Recusastes a todo vão pedido
Aceita então o destino que te veio
Quando viu a si mesmo refletido

A paixão traga pelo cupido
Que te condenou, pobre Narciso
Passastes a viver sobre esta margem
Morrendo e amando a sua própria imagem

Agora levado por Caronte
Procurando neste leito, por onde
Andaria seu magnífico amado
Porém nele, nada foi encontrado

E chorou lágrimas inexistentes
Desejando morrer novamente
Então de Narciso nasceu tal flor
Que conhecem, hoje, estas ninfas sua cor

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