quinta-feira, 30 de agosto de 2012

51 - O Cavalo






Escreva-se sol ao tempo
Firmamento ao que pousar
Sem vento, praia, céu.

Para que se possa ouvir, latim
Não mesmo o século que tive
Tão claro que o negro divide o todo
Passa em mim, aqui ao lado.

Escuta as coisas e então vinde a mim
Jogai as escadas para o sol
Que dilata todo amor entendido

As coisas eternas não regressam
E só há sofrimento do que for

Não há corrida, nem mesmo algo
Que vale a pena das escrituras pagãs
Ou esquecer a guerra e a sorte
De queimar trevos e fechaduras.
(Não há cavalos nessa história)


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

50 - Nocaute



Não há ringue sem aplausos
Nem a força sem o ocaso
Temos todos cem anos pela frente
E isso nos deveria ser comovente

E o que trago não está em mãos
Nem me entrego à briga de irmãos
Não há forma de vencer esses traumas
Sem esvair-se toda paciência e calma

E o troféu é humilhação
Da pena do sufocar ao chão
Bebendo dessa fonte que escorre
É salobra, mas não mata ou morre.

E toda vida que se vê em vão
Passando em seu campo de visão
É a súplica de alguém pedindo por nocaute
E a dúvida além do que quiser que se mate.


domingo, 26 de agosto de 2012

49 - Sisos


Nascem os sisos da minha euforia
Crescem os cabelos, mas nada se arrepia
Cortam-se unhas e braços
A fim de que sobre espaço
Para o sentimento de agonia.

Envelhecem como corrida de criança
Morreram cedo tal qual a esperança
Enterram-se corpos e locus,
Não há missa de sétimo dia
Mesmo se ainda houver lembrança.

A subida não garante lugar ao céu
Um reencarnar tão doce quanto mel
Que escorre e fere a abelha
Quando nos é entregue a centelha
Para um viver tão bem e ao léu.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

48 - Jugular



Essa manhã me acordou
Assim, atravessada pela goela
Manhã bem cedo alucinou
Parecia ter visto pássaros na janela

Nesse dia foi assim, tudo falho
Faltou mesmo acabar no fim,
Fiz chorarem meus dentes de alho
Quanta compaixão arrumei pra mim

Corto a jugular da cidade
Todo dia, a fim de mesmice
Mas, como o sangue é de verdade
Então talvez ela cicatrize

Joguei todo o álcool pela janela
Reguei os narcisos da vizinha
Outrora já pisei no jardim dela
Mas, no meu ninguém caminha

Então cortei o impulso que me conduzia
Num fio ininterrupto de solidão
Me fez perceber toda a agonia
Jorrando lamas de vala no meu coração.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

47 - Entre Parênteses (Deixa Queimar)


Deixa Queimar,
Deixa os papéis queimarem
Soldados por migalhas guerrearem
Com golpes de foice combaterem
E as vítimas se abaterem

Mas não deixe-os atirar
Deixe as armas atirarem por si só
A forca dar o seu próprio nó
E a pedra dar origem ao seu pó
E veja o que acontecerá
Deixai passar desta vez
E todas as outras que vêm
(Porque elas vêm e vão)

Deixe todos os confrontos
(E confortos também)
A fim de não ter mais nada a receber
Mesmo que estejam todos prontos
Você vai pensar em se esconder
Pois já ouviu todos os contos
E agora espera os entender

Por favor, deixai a luz apagar
A calmaria chegar ao mar
O filho voltar ao lar
E ao ouvir o canto do sabiá
Que em sua janela pela manha pousar
Você vai ver que é preciso deixar pra lá.

terça-feira, 29 de maio de 2012

46 - O Que É Arriscar



Você sabe o que é arriscar?
É roleta-russa,
Não é brincar de apostar.
É um tiro no escuro

É um risco no ar
Seguir em frente, sem hesitar.
Escutar e não anotar,
Pisar em falso de vez enquanto

Qual o gosto da bebida
O porre no ínicio de semana.
As drogas na cabana
A velocidade máxima,
Mas você sabe que não pode parar agora


sábado, 5 de maio de 2012

45 - Todos Cantam Sós



Loucos como animais
São ricos canibais
Procurando sempre mais
Não há vivos como tais

Pisando em cacos
Cavando em seus buracos
Sóbrios ou altos
Nada determinado

De onde veio esse poder?
São a Fênix a renascer
A cada dia que houver
A necessidade do que fazer

Pequenos marechais
Em eternos carnavais
Gritando suas afirmações
Informações, pontos finais

Toda noite, todos juntos
Sozinhos, por todo o dia
Quem ouve sua voz?
Em seu próprio lugar
Todos cantam sós
Juntos a mesma melodia

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

44 - Branda




Branda, você é bem mais,
É como uma noite no cais.
Maximize o seu calor,
Enquanto eu levo o meu fervor

Me acalme e me exalte
Como um dia tropical,
Me alegre e me entristeça
Como se fosse carnaval

Branda, me esqueça
Antes que seja tarde demais.
Antes que sua chama me aqueça
E eu me torne capaz

Por favor, acredite que eu posso
Fazer algo ou deixar assim.
Me abençoe ou amaldiçoe,
Mas reze algo por mim

Chama branda que me aquece
Entre labaredas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...