À quem ama seu reflexo
Como fruto de suas ações
Está destinado todo o nexo
Contido em cada única decisão
À quem foge do espelho
Tal como corre o coelho
À este destina-se a incerteza
Que o condena e faz sua presa
E à quem não toma cuidado
E acaba sendo próprio escravo
Servo de sua imagem compartilhada
Que tanto zelava para nada
À este cabe um destino conciso
Tal o que coube a Narciso
Levado de sua vida por um motivo
Que deveria deixá-lo vivo
E quem tanto esconde-se sob a luz
De um suposto ser que ele produz
É quem quebra o espelho todo dia
A fim do término de sua agonia
Tentativas de livrar-se do anseio
Todas as horas repetidas por receio
Que a lona fosse retirada de sobre o espelho
Que à tona viesse a reluzir seu segredo
Varridos e recolhidos do chão
Pedaços intactos de sua ação
Fragmentada em cacos de vidros
Que mostram seu reflexo perdido
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