Eu tenho inveja das nuvens
Que voam sem que ninguém as impeça
Alcançam as maiores altitudes sem medo de cair
E que andam sem nenhuma pressa
Eu tenho inveja de todas as nuvens
Que nos calam com apenas um trovão
E chovem e desaguam sem, no entanto,
A reprenderem por chorarem tanto em vão
Elas voam, se entregam ao céu por inteiro
Podem dominá-lo ou abandoná-lo, mas nunca esquecê-lo
Sem medo de cobrir os raios de sol ofuscantes
Pois não precisam obedecê-lo, elas vivem errantes.
Eu tenha pena dessas nuvens
Que sofrem irrequietas, andantes
Se tornam imensas, mas se desfazem em uma tempestade
E tornam a ser o que eram antes
Eu tenho muita pena dessas nuvens
Que voam sem saber por o porquê ou para onde.
São sempre as mesmas, só mudam o tom
Elas vão e desaparecem para sempre no horizonte
E que Deus tenha piedade dessas nuvens
Que nem sequer sabem o que são.
Deve ser triste viver assim, por isso choram
Elas têm apenas ao sol, o céu e a imensidão.