sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012 !!!

Um feliz 2012 pra você que acompanha o "100 Poemas"...


Que o próximo ano seja próspero,
intenso, cheio de sentimentos a serem desfrutados...


Que ele te traga experiências novas,
Pessoas melhores, se for o caso...


E a lembrança de sempre seguir adiante,
Não importando o que tenha acontecido no passado.



L. Daylon






43 - Gravidade




Eu luto contra a gravidade
Que mantem meus pés no chão
Eu luto contra a impossibilidade
E contra o peso da ilusão

Ela é como a eletricidade
Seu toque me arrepia a pele
E eu a conduzo dentro de mim

Só ela tem essa facilidade
De me compreender com um olhar
Fazer tudo o que faz eu me sentir assim

E eu luto contra a gravidade
Que me acorrenta a esse chão
Mas com ela eu tenho liberdade,
Ela me provoca essa reação.

E só ela sabe a reatividade
Que causa em mim, que surge em mim,
Ela adora me ver em combustão.

Ela age com intensidade.
E ela tem suficiente luminosidade
Pra abrir meus olhos e rasgar meu coração.

Enquanto isso, eu conto com a gravidade
Para não sair flutuando sem direção.



(P.S.: A imagem desse post e do anterior "Pontes" foram retiradas do Tumblr da minha amiga = http://onekittywithgreeneyes.tumblr.com/ )

42 - Pontes




Existem pontes que ligam
E pontes que desabam entre nós
Entre várias pontes diárias,
Há pontes que se dão nós.

São ligações restauradas,
Algumas conexões perdidas,
Aí você acha que nunca mais
Vai achar alguém na vida.

Andando, andando
Você acha outra ponte
E nela você atravessa
Até ver onde vai dar.

Bebendo, bebendo
Você seca a fonte
E então caminha
Até a próxima ponte encontrar.

Existem pontes frágeis,
Outras que não dão em lugar algum.
Mas nunca fique em dúvida,
Pois esse é um erro comum.

41 - Mis Ojos




Meus olhos estão vermelhos
Mas não por ódio ou rancor
Há razões e outros motivos
Depositados nesta cor

São águas de salgados sabor
Retiradas do fundo do meu ego
Canalizadas para fora da alma
E distribuídas sobre minha face

E meus olhos, estrada pro mundo exterior
Dispostos paralelos,
São feitos como vala
A jorrar os resíduos sentimentais.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

40 - Cold Heart




Eu fui ferido por um coração de gelo
Eu fui partido por algo muito gelado
O coração dela se tornou tão frio
Que congelou todos que estavam ao seu lado

Foi o coração dela que se resfriou
Mas foi o meu que partiu ao meio
Fui eu, o primeiro a sentir o calor
E ela, a primeira a ser tocada pelo frio

Como lidar com um coração de gelo?
Se meu calor não é suficiente,
Se todo amor se transformou em apelo,
E se extinguiu junto com o calor da gente?

sábado, 24 de dezembro de 2011

39 - Intenso Pensamento


Intenso pensamento
Que ronda ao meu redor,
Não te darei ouvidos
Pois não sei o que é melhor

Não, não faço nada demais,
Além de colher as flores
No jardim de trás

Não, não calo minha boca mais
Pra falar de assuntos sérios
Por motivos banais

Me façam acordos,
Me vejam novos rostos,
Saibam dos meus gostos,
Não é nada demais

Intenso juramento
Que foi feito para mim,
Quebrado e rasurado
Como disseram que um dia iria ser

Não, não faço mais questão
De jogar o lixo fora,
Antes do horário do caminhão passar

Não, não quero dar voz à razão
Que me atormenta agora,
Eu vou deixar primeiro a canção acabar

Me ouçam de novo,
Ponham a mão no bolso
E ouçam meu pensamento, intenso,
Não é nada demais.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

38 - Fotografias



Quem me dera poder guardar
Todas as fotografias que eu não quero mais
Pois eu não posso mais apagar
O que já foi gravado no meu coração

O que foi queimado ou rasgado
Já não vale mais
Mas ainda existe
Aqui nas lembranças

Tudo o que foi vivido e registrado
Ficou para trás
Porém é lembrado
Entre umas e outras andanças

Quem me dera poder esquecer
Os momentos registrados na memória
Toda essa parte da minha história
Que me lembra você.

domingo, 4 de dezembro de 2011

37- Je

















Je acordei um dia cedo, leve
Je lembrava o que aconteceu
Je acordei antes que você
E você estava ao meu lado

Je te preparo um café amargo
Enquanto je te falo no ouvido
Fazendo um beicinho
Falando assim baixinho

Je gosto quando você gosta
Que je te beije onde queira
Je te passo a mão nas costas
Je te pedi pra me alegrar. Je te pedi

Um beijo francês sob a aurora
Um toque francês de musicismo
Je acho que não é tarde pra falar:
‘Je t’aime, mon amour...’

Je tenho você entre meus braços
E je te falei ‘je t’aime’ mais uma vez
Mas Je esqueci de te dizer
‘Je ne parle pas français’

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

36- Esconda Sob A Luz


Hora de desligar as luzes
Já se perdeu o medo do escuro
Tempo de dormir sozinho
Não há nada lá fora, eu juro.

Esta noite, escolha bem o peso
De seus pensamentos ao dormir
Pois seu sonho, enquanto dorme
Será derramado em si.

Esconda sob a luz
Os seus piores temores
Lá onde as sombras não chegam
Sem quaisquer dores.

Esquecemos como fugir,
De como acordar da loucura
Esquecemos que temos medo
Do mesmo escuro, da mesma altura
Então, não se esconda disso.

sábado, 26 de novembro de 2011

35- Drunk


Um mundo duplo gira ao meu redor
Mas é meu estado alterado
Que me faz pensar isto
I’m drunk

Meu ego vem à tona ou o que é pior
Sou eu me deixando de lado
Que me fez tornar-se isto
I’m very drunk

Me ignore, apenas isso, ou mais nada
E não se magoe se eu contar
Por que eu cheguei a isto
I’m drunk.

Se és meu amigo, me leve pra casa
E ajude-me a entender, a explanar
O que me fez tomar isso?
I'm too drunk to love you.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

34- Você ou Eu


Eu não sei dizer
Se era você ou eu
Mas eu sei que agora
Somos nós dois dessa vez

Enquanto um ia,
Outro voltava
Até que um dia
Um casal se entreolhava

E eu não sei dizer
Se era você ou eu
Quem deveria dizer
Tudo o que sentia pro outro
Deu no que deu.

Se um ouvia, outro contava
Qual coração mais palpitava?
Quem esbarrou? Quem ligou?
Quem amou primeiro?
Você ou eu?

Quem entrou na multidão
E continuou a segurar a mão?
Quem respondeu o primeiro sim?
Ou disse o não? Não sei.

São coisas demais, que eu já não sei
Se foi você ou eu.
Es tú o yo?
It’s you or me?
Ces’t toi ou moi?
E deu no que deu.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

33- São Apelos


Eu ouvi apelos
Pra que a noite
Não tenha fim

Mas como mantê-los?
Já que a noite
Não liga pra mim

Eu ando só
Quando volto pra casa
Eu sou o único
A pegar o ônibus nessa direção

Eu não vou fazer apelos, mas
Você pode manter a paz, se quiser
Se nem tudo volta atrás
Resta ao tempo interceder

Guarde os seus segredos
Para que a noite
Não os conheça enfim

Quando for dormir cedo
Lembre que a noite
Talvez não terminasse assim.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

32- Viagem Adiante


Ele está viajando além deste universo,
Mas ele não sabe aonde ir
E já é tarde demais para voltar.

Ele inundou a mente,
Abraçou a água.
Não lutou contra a correnteza,
Ele acha que não vai se afogar.

Ele escolheu arriscar,
E para não deixar dúvida
Deixa seu rastro tóxico no ar.

Não o entenda errado.
Não entenda, mas tente.
Só ele sabe como o Sol o queima
E o quanto é errado o seu lugar,
Deixe ele viajar.

domingo, 23 de outubro de 2011

31- Domingo


Caí num buraco
Parece sem fim
Um restante buraco
Que sobrou em mim

Um buraco na vida
Um buraco no chão
Se existe a saída
Não existe a razão

Caí num buraco
Como eu sou fraco
O buraco é fundo
E acabou-se tudo
O (meu) mundo.

sábado, 22 de outubro de 2011

30- O Roubo


Alguém fugiu,
Foi uma luta intensa
Alguém fugiu,
Das lendas que foram contadas

Alguém contou
Que roubariam essas estrelas
De quem anunciou
Compartilhar constelações inteiras. Eu

Eu. Que fiz parte disso tudo
Que ouvi essas profecias
Que nos aclamavam, incendiavam
Todas já quebradas algum tempo

Meu terreno destruído
Agora, apenas imagino
O que ele viria a ser
A nossa antiga fortaleza em ruínas

Porque podia ser nós dois
Estando de mãos dadas
A caminhar sob os postes das ruas,
Mas alguém roubou isso

Talvez estivéssemos de boa
Olhando nos olhos do outro
Sob o sol, acima da gravidade,
Mas roubaram isso de mim.

sábado, 24 de setembro de 2011

Todo o Dia

O Sol salta à mente
E cai pra depois de fevereiro
Como se nada antes num ano
Fosse assim tão claro

Mas nada foi assim
Como eu disse agora
Há tempos e tempestades
Pra quem ri e outrora chora

Existem os decadentes meios
Para se habituar, situar, fumar
Fazer outras coisas também
Desde que isso inclua morrer

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Arriscar Dizer



Porque eu te gostei
Eu disse “te amo”
E você não gostou
Eu fui me desculpando

Você não gosta de dizer
Ou sente receio, não sei.
Mas se for amor pra valer
Vale arriscar mais uma vez


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Enxergar


ENXERGAR
NADA
                     NO


  VÃO 
                    DAS                                               COISAS, OU                                          
AMAR                                                                     ALGUÉM
                                                                                          SEM

DOAR
                                  A ESSE            ELAS
TODAS.

SER                                                                                MAIS

 PARA

FAZER
ALGO                    MELHOR
                                                                                       DO  Q
ERAFOI.

                                  ASSIM
DEIXAM-SE                                                      PALAVRAS
E
L     E    V    M    -    SE
TODAS
               AS                                              COISAS,
MENTES
                                                                                                                         AO
DIZER         QUE                                                                                      NADA
                                ACABOU.

Enxergar q tudo CONTINUA.

sábado, 27 de agosto de 2011

O Choro no Estige


Quando sua passagem pelo Estige
Juntamente a estes cantos iniciou-se
Reúnem-se as mais belas ninfas tristes
A recordar como ele era doce

Doce e belo, mesmo em seu amargo fim
Vejo chorarem as águas por sua perda
Como eu assim chorei ao perdê-lo de mim
Lamentaram-se todas as Nereidas

Por não ter cedido a nenhum dos anseios
Recusastes a todo vão pedido
Aceita então o destino que te veio
Quando viu a si mesmo refletido

A paixão traga pelo cupido
Que te condenou, pobre Narciso
Passastes a viver sobre esta margem
Morrendo e amando a sua própria imagem

Agora levado por Caronte
Procurando neste leito, por onde
Andaria seu magnífico amado
Porém nele, nada foi encontrado

E chorou lágrimas inexistentes
Desejando morrer novamente
Então de Narciso nasceu tal flor
Que conhecem, hoje, estas ninfas sua cor

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Condicional


Existe chuva, acenda um cigarro
Existe sol, enxague bastante
Existe lama, lave-se bem
Existe silêncio, dance até tarde

Registre o saldo, passe da conta
Evite o álcool da sobriedade
Rasgue aquelas cartas e então ligue chorando
Vale a pena montar tudo e depois destruir, rindo.

É lindo te ver em ação, a cada vez
Sabendo o que faz por um momento
Estático ou em movimento variado
Sempre haverá objetivo em seus atos

Se só há risos, então chore
Se só há desculpas, não perdoe
Quando há palavrões, faça um gesto
Se há razão, você perdeu o jogo

Se entregue e então, peça condicional
Se afogue, talvez o mar não te leve longe
Grite algo, ainda que alguém não vá ouvir
Estrague tudo outra vez, e saberá viver.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Reflexo


À quem ama seu reflexo
Como fruto de suas ações
Está destinado todo o nexo
Contido em cada única decisão

À quem foge do espelho
Tal como corre o coelho
À este destina-se a incerteza
Que o condena e faz sua presa

E à quem não toma cuidado
E acaba sendo próprio escravo
Servo de sua imagem compartilhada
Que tanto zelava para nada

À este cabe um destino conciso
Tal o que coube a Narciso
Levado de sua vida por um motivo
Que deveria deixá-lo vivo

E quem tanto esconde-se sob a luz
De um suposto ser que ele produz
É quem quebra o espelho todo dia
A fim do término de sua agonia

Tentativas de livrar-se do anseio
Todas as horas repetidas por receio
Que a lona fosse retirada de sobre o espelho
Que à tona viesse a reluzir seu segredo

Varridos e recolhidos do chão
Pedaços intactos de sua ação
Fragmentada em cacos de vidros
Que mostram seu reflexo perdido

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Contradizendo-se


Em baixo de mim
Esconde-se uma vida
Que ao contrário de mim
Segue em contrapartida

Eu sigo esses passos
As notas marcadas ao sol
Orquestrando casos
Que são meus e não são mais

Que se contradizem
E encontram-se bem alto
Repetem-se e se contrapõem
No som de um contrabaixo

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Barulho


Isso pode soar como barulho para você
Mas eu posso sentir como música aos meus ouvidos
Eu posso ouvir todo o ruído do mundo
Só não quero ter que ouvir os seus gritos

E eu poderia te mostrar os sons que eu sei fazer
Mas você só escutaria coisas sem sentido
Ou poderia apenas falar dos meus dons pra você
Mas tudo o que eu falasse seria inaudível

Pois só quem tem os sentidos bem apurados
Pode perceber as minhas diferenças e semelhanças
E de quem sejam as palmas e os gritos abafados
Não importa. Eu sei, ninguém pode calar essas crianças

Você pode ouvir o som da colisão ou da pancadaria
Ou o som de uma mastigação que desça doce pela língua
E tudo o que eu lhe mostrar pode parecer apenas gritaria
Porém, no final das contas, toda a surdez que você possui, é minha.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Arquivado


Eu possuo em minhas mãos
Todas as informações dessa ação
Corrente em que me encontro
Vítima ou culpado, inocente ou não

Quem dera se o seu caso
Já houvesse sido arquivado
Nessas gavetas empoeiradas
Do meu almoxarifado

Porém ele segue em aberto
O procedimento correto
Até que se termine, enfim encerrado
E solucionado do jeito certo.

sábado, 6 de agosto de 2011

Sou Alguém

Eu sou alguém que não me conheço
Tenho armas que podem falhar
Às vezes eu mudo e não sei quem pareço
Sou um visitante que veio ficar.

Eu não conto com o amor de ninguém
Nem ligo pras coisas que não me convém
Não tenho angústia, nem dor, nem bem algum
Só sei que sou alguém.

Não vou buscar coisas que se perderam
No tempo e não podem mais voltar
Sou alguém mais que alguém por si só
Tudo o que faço é procurar o meu lugar

Enquanto prossigo em meu caminho
Todos insistem, mesmo eu estando sozinho
Que tudo é incerto e a vida – quem dirá?
Mas eu tenho que continuar.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Instante Inconstante

Incessante
Eu não canso
Nenhum instante
Senão eu danço
Mais adiante

Inconstante
Eu alcanço
De relance
Meu descanso
Delirante

Sou informante
A dizer que a mudança
É a constante
Cuja dança
Relevante
Ainda avança
Ao horizonte
Que se lança
Em variantes

Relutante
Vou em frente
Militante
Sempre ciente
Que logo se ande
E que se oriente
Por bússola errante
Que, porém não mente
Ao velho praticante

E se expande
A todo o momento
Ecoando como um grito
Dissonante
O pensamento
Que mesmo o tempo
Não é infinito

Nenhuma constante
É permanente
E os instantes
Ou são para sempre
Ou estão perdidos
Dentro das mentes
Constantemente

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Algo Sobre Festas

Eu não sabia que festas
Podiam deixar as pessoas tristes
Porque essa me deixou

E não sabia que nas festas
Eu poderia dar palpites
Pois eu não sei o que ela optou

E não sabia que para entrar em festas
Você deve estar sempre quite
Com o dono do show

O que sabia sobre festas
É que você não precisa de convites
Depois que já entrou

O que eu já sabia sobre festas
É que é fácil ser esquecido
Se a madrugada já terminou

O que eu sabia sobre festas, era
Que para achar um rosto conhecido
É mais difícil quando envolve amor

Todos foram embora e só eu fiquei
Com garrafas vazias e um coração partido
Porque, na melhor parte, a festa acabou

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Miséria Das Nuvens

Eu tenho inveja das nuvens
Que voam sem que ninguém as impeça
Alcançam as maiores altitudes sem medo de cair
E que andam sem nenhuma pressa

Eu tenho inveja de todas as nuvens
Que nos calam com apenas um trovão
E chovem e desaguam sem, no entanto,
A reprenderem por chorarem tanto em vão

Elas voam, se entregam ao céu por inteiro
Podem dominá-lo ou abandoná-lo, mas nunca esquecê-lo
Sem medo de cobrir os raios de sol ofuscantes
Pois não precisam obedecê-lo, elas vivem errantes.

Eu tenha pena dessas nuvens
Que sofrem irrequietas, andantes
Se tornam imensas, mas se desfazem em uma tempestade
E tornam a ser o que eram antes

Eu tenho muita pena dessas nuvens
Que voam sem saber por o porquê ou para onde.
São sempre as mesmas, só mudam o tom
Elas vão e desaparecem para sempre no horizonte

E que Deus tenha piedade dessas nuvens
Que nem sequer sabem o que são.
Deve ser triste viver assim, por isso choram
Elas têm apenas ao sol, o céu e a imensidão.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Já Passou O Tempo

Passa o dia, passa o tempo
Passa o sol e o momento
Passava o céu enquanto a lua agoniava
Porque só uma pessoa não passava
Na rua do juramento

Enquanto eu escrevo versos de lamento
Ou não escrevo nada
Nesta rua triste de tormento
Só a lua não se importava
Porque... e se ela soubesse?

Que eu não a esqueceria
Por ela, nada adiantaria
Nem se uma chuva descesse
Desde quando o sol escuresse?
E a dor passou a me alimentar?

Passam moças, passam rapazes
Passam todas as raparigas
E passam todos os vorazes
Só não passa minha amiga

Que nem a imagem dela, nenhuma
Sem dúvida de penumbra alguma
Te reconheceria pela vista
Mas, nenhuma sequer traz pista

Passa a hora, passa o vento
Passa todo o tipo de ser vivo
Passou o tempo e veio o alento
Só a alma dela não passa
Pela rua do juramento.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Confissão Não Dita

Eu te vejo
Todo o tempo,
Eu sei,
Não sei você

Te desejo
Num momento
Errei e
Não vou volver

Eu me esqueço
Eu me lembro
Tentei
Só te dizer

Que eu mereço
Que eu tento,
Porém
Me deixe ser

Eu pareço
Mesmo sendo
Alguém,
Você não vê

Permaneço
Ao relento,
Deitei
Pra te rever

Eu gotejo em
Pensamentos,
não hei de
Fazer-lhe ler

Num lampejo
De teus ventos
Calei
Todo o meu ser

Não pereço
A dezembro
Porém hei
De me reerguer

E pelejo
Até acendo
A lei
Do não saber

Teu desprezo e
Desalento
Pequei
Vou converter

Nem soneto
Nem tormento
Irei
Lhe reescrever

Nenhum terço
Ou lamento
Rezei
Só por você

E por mais que tudo seja teu,
O maior erro sempre foi meu.

domingo, 24 de julho de 2011

II

Quando te falar meias-verdades sobre mim
Você ficará meio assustada, acho que sim
Porque não ser leão em pele de cordeiro?
Não sabes o que é ser vários o tempo inteiro

Ser pertinente em sua contradição
Ser gigante e caber na palma da mão
Ser tão pesado como a lã ou o ar
Ou ser tão rígido quanto o mar

Possível protestante que se rende
Com certeza um desesperador paciente
Também um comunitário egoísta
Com mania de grandeza e minimalista.

Eu sou este mar que banha o vulcão
Que aterroriza ao entrar em erupção
Sou palavras gentis seguidas de palavrão
Um veredito cheio de indecisão

Quem age errado pelo motivo certo
Quem tanto anda para chegar perto
Seguro em sua crise de identidade
Sou único dentro da minha bipolaridade

O interessado que se faz desentendido
Um cauteloso buscando pelo perigo
Sou todo esse falatório, mas reservado
Eu sou esse dois em um, ao quadrado

sábado, 23 de julho de 2011

Não Fuja!

Quando eu cheguei, mesmo à custa
Eu lhe encarei e ela olhou para mim
Então eu lhe disse: “Não fuja!”
Mas ela se foi, mesmo assim

Ela estava com toda a sua bagagem
E me deixaria apenas o seu adeus
E em seguida partiria em sua viagem
Para longe dos olhos meus

Eu lhe implorei: “Por favor, não fuja!”
Mas ela disse que depois eu entenderia
Então, eu reparei sua roupa suja
E percebi que talvez nunca mais a veria

Ela me lançou um olhar convidativo
E talvez eu não lembre qual foi a desculpa
Então, naquele momento, eu fui fugitivo
Por não ter embarcado na sua fuga

Pesa em minha mente o arrependimento
Porque agora, você é aquela cuja
A mão eu deveria ter segurado naquele momento
E a única coisa que eu disse foi: “Não fuja!”

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Folhas De Outono



Folhas de outono
Perguntem ao seu dono
Se o meu dia está prestes a chegar
Se eu já devo me preparar

Folhas de outono
Digam pro seu dono
A hora que seja, seria bom saber
Onde esteja, vou voltar pra você

Primavera ou verão,
Pra onde vai essa estação?
Espero o inverno chegar ao fim
Para poder lembrar de mim

Desiludido, eu chego aqui
Ao ver tudo acabar-se em vão
Basta esperar a última folha cair
Pra sentir que há salvação.

Enquanto você espera a útima flor se abrir
Para sentir sua plena solidão
E sem certeza do que sentir
Eu me despeço desde então.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

1+1

Mesmo se eu tivesse tudo
Eu não teria nada sem você
Mesmo as coisas que existem no mundo
Não fariam nenhum sentido sem você

E eu sei o suficiente para saber
Que um mais um é igual a dois
Um sou eu, e um é você
E não importa o que vem depois
Porque não somos nada sem amor
Nós não teríamos nada senão a dor

Mesmo que o mundo acabasse
Meu mundo não desabaria
Mesmo que toda a água secasse
Eu sei que minha fonte não esgotaria

E eu não sei como prever meu futuro
Mas eu espero que ele seja contigo
Você sabe do que eu mais tenho medo
Mas por você eu enfrentaria todo o perigo
Porque apenas você me faz sentir essa paixão
Porque sem você só me restaria a solidão

E todas as coisas entre nós
São todas as verdades do mundo
E mesmo quando estivermos sós
Lembraremos que passamos por tudo
Para chegar até aqui.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nada Mal (This Is Amazing)

Você sacou sua arma e atirou
Eu só achei legal
Mas foi quando você me assustou, eu pensei:
—Não seria nada mal...

Às vezes, você me chama de “cara”
E eu digo: “É isso aí!”
E sempre quando você para
Eu te peço para prosseguir

Mais do que mentes comparadas
Mais do que apenas uma dupla sem sentido
Sabemos que existem problemas para cada
Mas não tem problema. “Eu ‘tô’ contigo!”

Você trouxe sua guitarra e tocou
Eu só achei legal
Mas foi quando você me viu compor, eu pensei:
—Não seria nada mal...

Às vezes você me diz o que fazer
Ou me diz para não fazer o que você faz
E muitas vezes eu nem ligo pra você
Ou te chateio até não poder mais

Mas você me fez achar legal
O fato de emprestar os meus livros
Percebi não haver nada de mal
Em nomeá-lo como meu amigo.
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