quarta-feira, 22 de agosto de 2012

48 - Jugular



Essa manhã me acordou
Assim, atravessada pela goela
Manhã bem cedo alucinou
Parecia ter visto pássaros na janela

Nesse dia foi assim, tudo falho
Faltou mesmo acabar no fim,
Fiz chorarem meus dentes de alho
Quanta compaixão arrumei pra mim

Corto a jugular da cidade
Todo dia, a fim de mesmice
Mas, como o sangue é de verdade
Então talvez ela cicatrize

Joguei todo o álcool pela janela
Reguei os narcisos da vizinha
Outrora já pisei no jardim dela
Mas, no meu ninguém caminha

Então cortei o impulso que me conduzia
Num fio ininterrupto de solidão
Me fez perceber toda a agonia
Jorrando lamas de vala no meu coração.

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